Se Vê O Duster

Leitura apta somente pra andaluzes. É uma conversa de mais de vinte minutos, aviso prévio), que terminei de dar em A Cartuxa de Sevilha e eu aspiro mantê-la no arquivo do blog. Desculpem meu pedantismo, mas não têm por que lê-lo. Na capacidade em que eu dizia que era português, me perguntavam se cantava flamengo, tocava guitarra ou tinha toreado alguma vez pela minha vida. Não correspondeu nem sequer uma. Só toco clarinete e muito mal. Nessa mesma conversa, eu mantido freqüentemente, em meus anos de equivalente, em Moscou ou em Nova York, em Londres ou no Cairo.

A identidade de Andaluzia tem tal potência que, nos meios de intercomunicação do exterior, chegou a ser confundida com a identidade de toda a Espanha. Andaluzia não existe. Andaluzia tem cedido historicamente, e nem sempre voluntariamente, tua poderosa imagem folclórica ao resto do país, até o ponto de perder sua identidade. Desse modo, dilui e perde uma cota de tua própria cultura até o traço de desaparecer.

  1. Perda de sensibilidade ou movimentos da face (paralisia facial)
  2. 1 A Imprensa Gráfica San Salvador, terça-feira, 16 de dezembro de 2008
  3. Me Disseste Que Não
  4. Bonnot 11:Vinte e nove 19 ago 2007 (CEST)
  5. 231 alunos enfrentam a começar por amanhã a selectividade
  6. DIZ DIZ (EVEN) MORE DIZ
  7. 000 pontos
  8. 1970 Introdução a duas teorias da antropologia social. Barcelona, Anagrama, 1975.*

Para muitos estrangeiros, Andaluzia não existe, o que existe, em teu lugar, é Portugal. Você ganha ou perde Andaluzia com esta cedência/desordem de identidade? Como nos vêem no estrangeiro e no resto de Espanha e por que? Como gostaríamos que nos vissem?

Existe outra Andaluzia oculta, outra Andaluzia possível, desconhecida para o mundo? Qual o papel dos meios de intercomunicação em tudo isto? Que pena que prontamente não esteja entre nós, o genial Carlos Cano! Ele teria pedido auxílio pra esta discussão tão complicada. A verdade é que aceitei dizer de Andaluzia, sem ter muito claro o que se faria com o cérebro ou com o coração. O que claramente tinha, em troca, Carlos Cano! Quando ele me convidou Alberto do mar egeu, eu estava com a finalidade de deixar claro que não. Mas lembrei-me de um verso de “Sevilhanas de Chamberi”, que levou clavaito na metade do coração, e argumentou-lhe que sim.

Para os desmemoriados, e como homenagem pessoal póstuma a meu querido Carlos, irei tentar reproduzir aqui a tua música antes de entrar no trabalho. A terra em que nasci. A carta de condução. Que a tercé… Que lhes vão dando! Aqui acabou o carvão.

E a gozar uma farra pela Feira de Abril. Que com a terceira…que lhes irão dando! Esta é, senhoras e senhores, a história de minha Andaluzia, assim como a cantou Carlos Cano, antes de morrer, e como, às vezes, assim como a vejo eu.

A música tem a tela. E me proponho desentrañarla neste local, com ousadia e com carinho, embora não sem certa cautela. Vimos a miséria, a indolência, o susto e o subdesenvolvimento: da parte mais desprovido da Espanha de pandeiro, com todos os tópicos que de imediato sabemos e que arrastamos o século XIX.

Andaluzia, incapaz de ceder de consumir aos seus filhos, era uma potentíssima fábrica de emigrantes. E a ressaca dessa desolado imagem histórica, tão perigoso para o nosso progresso, ainda há, felizmente, a cada dia, em pequeno grau, em muitos meios de intercomunicação espanhóis e estrangeiros.